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Comunidade do Badenfurt lota plenário da Câmara em defesa da permanência do AG no bairro

Comunidade do Badenfurt lota plenário da Câmara em defesa da permanência do AG no bairro

A Câmara de Vereadores realizou na noite de quinta-feira (2) uma audiência pública para debater a situação de transferência do Ambulatório Geral Dr. Diogo Vergara, conhecido como AG do Badenfurt. Lideranças comunitárias da região do Badenfurt e moradores, bem como conselheiros e ex-conselheiros de Saúde lotaram o Plenário. A audiência foi proposta pelo vereador Bruno Cunha (Cidadania) por meio do Requerimento Nº 1902, subscrito pelo vereador Adriano Pereira (PT) e aprovado pela maioria dos parlamentares.

 

ASSISTA AQUI AO VÍDEO COMPLETO DA AUDIÊNCIA PÚBLICA

 

A abertura dos trabalhos foi conduzida pela vice-presidente da Casa, vereadora Silmara Miguel (PSD), que justificou a ausência do presidente Egídio Beckhauser (Republicanos), em razão de compromisso assumido anteriormente. Também participaram da audiência, além dos parlamentares proponentes, os vereadores Professor Gilson de Souza (Patriota), Marcos da Rosa (DEM) Alexandre Matias (PSDB), Maurício Goll (PSDB) e Marcelo Lanzarin (PODE). Foram convidados a compor a mesa principal o secretário de Saúde, Winnetou Krambeck, o presidente do Conselho Municipal de Saúde, Ronei Uhlmann, além de Katia Evaristo e Vilmar Herkenhoff, representantes da comunidade. À mesa dos parlamentares foram chamados o conselheiro do Conseg do Badenfurt, Orlando Mendel, o membro do Conselho Municipal de Saúde, Ademir Mello, e os ex-vereadores Zeca Bombeiro (SD), Diego Nasato (Novo) e João José Marçal.

 

O vereador Bruno Cunha destacou que a audiência pública foi proposta em razão da comunidade não ter sido ouvida pelo Executivo. Ressaltou que por meio do Requerimento Nº 1877 solicitou informações à administração municipal para aprofundar o debate, mas não obteve respostas. Disse que seu gabinete mesmo assim foi atrás dos dados. Informou que o AG do Badenfurt conta com 17.800 cadastros e atende em média 1.200 pessoas por dia.

 

Também apresentou um quadro comparando as distâncias entre a localização atual e a nova estrutura, que será construída no Salto do Norte, tendo como parâmetro o Terminal do Aterro. O quadro mostra que para quem mora no Badenfurt, a distância hoje de 450 metros passará para 5,4 km; para os moradores do Testo Salto, a distância passará de 4km para 8,5km; para a população da divisa de Indaial, o distanciamento será dos atuais 4,8km para quase 10 km, e o deslocamento dos moradores do Passo Manso passa de 5km para 10km. “São diferenças que impactam no dia a dia da comunidade, dificultando especialmente para as gestantes, mulheres com crianças, idosos, pessoas com deficiência, que sofrem ainda mais com essa distância”, ressaltou o vereador, lembrando ainda que deve ser considerado o sentimento de pertencimento da comunidade com o AG do bairro, que tem mais de 30 anos.

 

Ressaltou também que não existe uma luta contrária à instalação do AG do Salto Norte e que o questionamento à gestão municipal é a possibilidade da manutenção de ambos, mas assinalou que ele quer saber como a comunidade do Badenfurt e as demais que usam o AG atual terão seus direitos respeitados, com serviços de saúde e as especificidades asseguradas.

 

Cobrou respostas do Executivo para as questões apresentadas e criticou a falta de diálogo do governo municipal com a comunidade. “Não é possível se negar a conversar com a comunidade. Essas pessoas merecem uma resposta, porque as cobranças de impostos chegam para elas também”, argumentou, assinalando que pelo menos para esta audiência o Executivo mandou representantes.

 

Em seguida o secretário municipal de Saúde, Winnetou Krambeck, foi convidado a se pronunciar. Ele afirmou que o primeiro diálogo com aquela população tem no mínimo oito anos e que envolveu toda a comunidade e as equipes do ESF que fazem parte do distrito sanitário do Badenfurt. Explicou que o município está dividido em sete distritos sanitários.

 

Apresentou um resumo de quase 30 atas dos conselhos regionais, de 2016 a 2021, com registros a respeito da situação do AG do Badenfurt e opiniões da comunidade sobre o assunto. “Quando se fala de SUS, se fala de controle social e isso são os conselhos municipal, regional e local. Eles são a voz de vocês”, afirmou, ressaltando que o Município incentiva participação e que a luta é grande para conseguir conselheiros e o envolvimento da comunidade nesses espaços.

 

Relatou alguns pontos colocados nas atas citadas, entre os quais a inadequação da estrutura do AG do Badenfurt e a defesa do terreno para o novo AG, pela excelente localização. Também citou um registro em que havia reclamações da comunidade de que não aguentavam mais a atual localização do AG. Falou do envolvimento dos vereadores para que a Prefeitura pudesse contar com a nova área e citou o vereador Adriano Pereira (PT). Disse que há um documento assinado por todos os interessados em um outro espaço, que justifica a ação da Prefeitura para um novo local, e desmistifica o fato de que não houve discussão sobre as mudanças com a comunidade. “Houve uma ampla discussão com os conselhos onde seria feito o novo AG do Badenfurt”, assegurou.

 

Também apresentou a nova estrutura, destacando que ela foi pensada para ser um espaço amplo para disponibilizar alguns exames, evitando o deslocamento dos usuários ao Centro. Explicou que o planejamento do novo local inclui sala para radiografia, ultrassom e coleta de sangue. Disse que o novo AG do Badenfurt será o de maior área do município. Reafirmou que a luta para conseguir o terreno do Estado envolveu todos os conselhos e que o recurso para a construção está garantido, sendo que a obra já está em processo de licitação.

 

Após a fala do secretário, a advogada Katia Evaristo, representando os moradores do Badenfurt, usou a tribuna. Agradeceu aos vereadores Bruno Cunha e Adriano Pereira pela iniciativa da audiência pública. “Nós, enquanto comunidade, não podemos aceitar a decisão da administração pública de transferir o ambulatório do Badenfurt para o Salto do Norte sem explicações plausíveis e, principalmente, sem que saibam da nossa indignação”.

 

Reforçou que a comunidade não é contra a construção do AG do Salto Norte, mas que impõe a manutenção do AG do Badenfurt no mesmo bairro. Destacou que a unidade está próxima dos usuários, dispondo de ponto de ônibus em frente e que um grande número de pessoas nem precisa de ônibus para se deslocar até o AG. Lembrou que parte dos usuários daquela unidade são funcionários das empresas locais, inclusive de multinacionais sediadas nas proximidades.

 

Observou que as especialidades foram retiradas do AG do Badenfurt sob a justificativa de falta de espaço e argumentou que o local é cabível de ampliação e reforma. “É uma demanda antiga. Não é de hoje que reivindicamos melhorias no nosso ambulatório”.  Afirmou que não faz sentido a centralização dos serviços de saúde e obrigar o deslocamento da comunidade por 5 quilômetros a procura de atendimento, que hoje está próximo dela. Lembrou que o crescimento da população e também as dificuldades de uma parte da população em continuar pagando planos de saúde particulares levam ao aumento dos atendimentos nas unidades de saúde da rede pública.  

 

Reclamou do descaso da administração pública, afirmando que a comunidade não recebe explicação do que efetivamente vai acontecer, pois as informações são contraditórias. Disse que a decisão da transferência do AG não pode ser tomada por poucas pessoas, mesmo sendo representantes e presidentes de conselhos, porque é uma medida que afeta toda a comunidade e que essa deve ser consultada. “Basta! Não podemos mais aceitar esse tipo de tratamento. Nossa comunidade reivindica e merece um ambulatório com todas as especialidades. Queremos também a reforma e ampliação do nosso espaço de atendimento. E queremos por escrito, porque de promessas, estudos e análises estamos fartos”, encerrou.  

 

Outras pessoas, alguns ex-conselheiros de Saúde, falaram em nome da comunidade para defender a permanência do AG do Badenfurt no mesmo local, pedindo inclusive que a comunidade seja consultada por meio de um plebiscito.

 

Também usaram a tribuna alguns atuais conselheiros para salvaguardar o papel democrático dos conselhos e defender que a mudança do AG foi discutida. O presidente do Conselho Regional do Badenfurt, Wilson Barth, assinalou que a transferência do AG não significa abandonar a população daquele bairro. “Nossa proposta é jamais abandonar uma área, pelo contrário, vamos procurar dar o melhor atendimento e a melhor maneira é ter um local adequado para os usuários serem atendidos”.

 

Outros que usaram a tribuna na defesa da permanência do AG no bairro foram os ex-vereadores e suplentes da atual legislatura, Diego Nasato (Novo), Zeca Bombeiro (SD) e João José Marçal. Eles não pouparam críticas à gestão municipal de Saúde e foram categóricos em incentivar a comunidade a ser resistente.

 

O vereador Marcelo Lanzarin, líder do Governo, falou da importância do modelo de atendimento implantado no Brasil pelo ESF. Disse que o médico do ESF conhece a comunidade e seus pacientes e exemplificou que a adoção desse modelo no Brasil proporcionou a redução da mortalidade infantil e do número de gestantes adolescentes nas comunidades atendidas. “Defendo o ESF, independente do novo AG, para que toda a comunidade da região do Badenfurt possa ser assistida nesse modelo e tenha o atendimento próximo de sua casa. Esse é o encaminhamento”, concluiu, após ser questionado pelo vereador Bruno Cunha a respeito de uma decisão por parte da administração municipal.

 

O vereador Adriano Pereira subscreveu o requerimento de audiência pública de autoria do vereador Bruno Cunha. “Nós estamos cumprindo nosso papel de vereadores que é ouvir os anseios da comunidade. No dia da manifestação da população nós assumimos o compromisso de dar continuidade às cobranças da comunidade para ter explicações claras e transparentes do poder público sobre este assunto”, apontou, falando de suas lutas no parlamento por aquela comunidade, inclusive por um novo ambulatório. “Mas em nenhum momento terão minha assinatura para fazer outro e tirar o que tem lá. Existem muitas justificativas plausíveis para se manter o atendimento daquele estabelecimento de saúde. Nós vamos continuar a lutar pelo atendimento próximo à comunidade, atendimento digno aos servidores e qualidade de saúde aos usuários”, assegurou, apontando que um dos encaminhamentos da audiência será ofício aos três deputados estaduais representantes da cidade para que cobrem do Governo do Estado o repasse do terreno do atual AG para o município.

 

O vereador Professor Gilson de Souza defendeu a necessidade de o Executivo municipal de dialogar com a comunidade. Apontou que a transferência foi aprovada no conselho, mas a maioria da população não quer. “O poder público precisa ter coragem e dialogar com a comunidade. Nós, enquanto vereadores, abrimos espaço para dialogar com o povo, fomos até a comunidade. O poder público nega o diálogo. Eu defendo a descentralização do atendimento e o serviço mais próximo da comunidade, inclusive para desafogar os hospitais da cidade e para que a população não precise se deslocar de suas comunidades, longe de suas residências com todas as dificuldades”, defendeu.

 

A vereadora Silmara Silva Miguel apontou que compreende as dificuldades da comunidade em ter que se deslocar até a Câmara depois de um dia de trabalho para vir discutir esta questão. Disse que também entende os desafios da secretaria diante da pandemia da Covid-19. “Eu sei que os desafios são intensos para ambos os lados, mas faço este pedido ao secretário e para a secretaria que se mantenha os dois locais. Nós temos demanda para isso. É uma questão de empatia. Não podemos tirar da comunidade que já tem tão pouco”, defendeu, dizendo que foi visitar a comunidade e sabe da dificuldade das famílias para irem a este local sem a ponte que foi retirada da localidade e ainda não foi colocada. Também colocou o legislativo à disposição para trabalhar o orçamento para fazer isso ser possível.

 

Em uma nova rodada para ouvir a comunidade, participantes relataram que não têm voz dentro do conselho, e que a ata que aponta que a comunidade concorda com a transferência do AG é tendenciosa. Outras manifestações questionaram o secretário de Saúde sobre como foi feita a escolha do local para a nova estrutura, e apontaram que o terreno em questão pega enchente e seria área de preservação ambiental. Os horários de ônibus na região do novo AG também foram abordados, além da dificuldade de pais e mães com filhos acessarem o local.

 

O secretário Winnetou Krambeck ressaltou que a medição apontou que a cota de enchente do terreno é de 16 metros e que toda a questão ambiental do terreno está documentada. Ao falar sobre os critérios para escolha do local, disse que não é levada em conta só a distância, mas o fato de ter um terminal de ônibus próximo, além da proximidade para a comunidade do Salto do Norte, que também precisa acessar o serviço de saúde. Afirmou que durante o período de obras do novo AG serão feitas discussões sobre os horários do transporte coletivo na região. Disse que a estrutura do ambulatório é do Governo do Estado e que precisaria que viesse para o município para que uma reforma fosse realizada. “Sabemos das dificuldades da população e tentamos encontrar soluções para que todos sejam beneficiados. Queremos oferecer a estrutura para a realização de exames no AG, para evitar mais deslocamentos, mas para ter esses equipamentos, precisamos de um local maior”.

 

A vereadora Silmara Miguel, que presidia os trabalhos, disse que durante a audiência a comunidade foi bem representada e salientou que os vereadores darão os encaminhamentos do que foi discutido, inclusive encaminhando ofícios aos deputados estaduais solicitando o repasse do terreno do atual AG ao município.

 

Ao final, o vereador proponente, Bruno Cunha, enalteceu a presença da comunidade do Badendurt e reconheceu que a audiência foi um local de escuta dos interesses da população. Lamentou que a comunidade não ouviu uma proposta concreta sobre o que será feito. “Não tivemos a proposta de manutenção do ESF, não tivemos a fala com relação ao AG, e isso não vai parar por aqui. Vou me reunir com a comunidade para pensar os próximos passos, porque não ter uma resposta oficial é um ato de desrespeito com essas 18 mil pessoas cadastradas para atendimento nesse AG”. Finalizou dizendo que a comunidade espera e merece uma resposta, e que não desistirá dessa luta, pois a vontade do povo deve ser soberana na democracia.

 

A audiência pública será reprisada pela TVL no sábado, 4 de dezembro, às 21h15 no canal 14 da Net, canal aberto digital 43.2 e já está disponível no YouTube.

 

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A galeria de fotos da audiência pública

O vídeo da audiência pública

 

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Fonte: Assessoria de Imprensa CMB | Foto: Denner Ovidio | Imprensa CMB

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