Menu

Janeiro Branco: campanha para fortalecer a saúde mental

Janeiro Branco: campanha para fortalecer a saúde mental

Janeiro é considerado o mês da saúde mental. O movimento “Janeiro Branco”, idealizado por um grupo de psicólogos mineiros de Uberlândia, em 2014, ganhou o Brasil e o mundo e se transformou em lei em diversas cidades. Em Blumenau, a campanha iniciou no ano passado, tendo sido aprovada pela Câmara de Vereadores no final de 2019, e atualmente é considerada o segundo maior movimento “Janeiro Branco” do país. Neste ano, em razão da pandemia, a programação foi realizada somente on-line. Houve o plantio de uma muda de Ipê-Branco no Parque Ramiro Ruediger, simbolizando o início da campanha na cidade.

 

“Janeiro Branco” nasceu com objetivo de dar mais visibilidade à saúde mental pelos profissionais da área, especialmente entre psicólogos, mais interessados em prevenir do que remediar. Aos poucos foi agregando outros profissionais atentos ao bem-estar das pessoas, como educadores físicos, nutricionistas e esportistas, entre outros.

 

Autor do projeto de lei, aprovado há dois anos, vereador Bruno Cunha (Cidadania), explica que atendeu a uma demanda de um grupo de psicólogos da cidade zeloso para com a sanidade mental e defensores de que os estigmas que ainda envolvem essa questão requerem reflexões e debates coletivos e públicos, envolvendo toda a comunidade.  Ele assegura que a campanha Janeiro Branco deve ser considerada como uma política pública de saúde, porque nasceu de um movimento de cidadania e traz à baila a motivação do “ser saudável” ou seja, do tratamento preventivo, não apenas o tratamento após o diagnóstico, e da necessidade do autoconhecimento.

 

“Eu sempre faço esse questionamento: temos na prática, no Brasil, uma política de saúde ou de doença?  Estou convencido de que é de doença, porque só se trata diante do diagnóstico e não se pensa na raiz do problema”, enfatiza, ressaltando que a proposta do “Janeiro Branco” é justamente contrária, porque fortalece a promoção da saúde. Segundo ele, entre os povos orientais e também na Europa, o que se vê é uma maior atenção ao trabalho de enfrentamento a futuras doenças.  Lembra também que a prevenção na saúde significa mais economia de recursos públicos e destaca que todo o mérito da campanha Janeiro Branco em Blumenau cabe ao grupo de profissionais engajados na defesa da saúde mental, que deu o “start” para dar visibilidade à temática no município. 

 

Idealizador da campanha em Blumenau, o psicólogo Jonathan Krueger reforça que a mesma é um estímulo para alavancar em cada pessoa o autoconhecimento, o olhar para dentro de si.  Ele explica que é um pacto social com a saúde mental, não no sentido de buscar ajuda quando os sintomas e distúrbios – como a depressão e ansiedade – já estão presentes fisicamente, mas o de propagar a necessidade de lembrar de si mesmo e de se cuidar. “Temos que falar de saúde mental com todo mundo, nos diversos espaços, porque qualquer pessoa pode ser um agente de saúde mental”, diz, destacando que tudo ao nosso redor está ligado à saúde mental e que é preciso estar bem conosco para dialogar com o outro, para interagir no trânsito de maneira sensata, p­ara ter uma qualidade de vida melhor.  Vai ao encontro do conceito de saúde propagado pela Organização Mundial da Saúde (OMS): saúde é um completo estado de bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doenças ou demais enfermidades.

 

O psicólogo lembra que o Brasil é o país mais ansioso do mundo e o segundo em casos de depressão.  Segundo dados da OMS divulgados em 2020, 9,3% dos brasileiros têm algum transtorno de ansiedade e a depressão afeta 5,8% da população. Destaca que esses números se refletem nas cidades e que a pandemia do novo coronavírus incrementou significativamente a busca por ajuda clínica.

 

Por outro lado, Krueger assegura que há um grande interesse por parte das pessoas e entidades nas ações do Janeiro Branco, principalmente das empresas, que entendem que a saúde mental dos funcionários é de extrema importância para o processo produtivo e para a qualidade de vida dos mesmos. “Mesmo totalmente on-line neste ano, devido à pandemia, houve um grande engajamento, o que nos deixou entusiasmado com a propagação da campanha”, afirma, explicando que quando voltarem os eventos presenciais, a programação em caráter on-line vai continuar.

 

Reforça que é cada vez mais urgente a propagação do “Janeiro Branco”. “O autoconhecimento é importante para melhorarmos como ser humano. Sabemos muito pouco de nós mesmo e isso limita as relações interpessoais e ambientais, gerando os conflitos. É hora de buscarmos respostas mais assertivas que vão gerar uma melhora na interação social. Estamos neste mundo no sentido de união e de cooperativismo”, afirma.

 

Conclui que a melhora em nós propicia ajudar o outro, o que converge para uma cidade melhor em todos os aspectos. Para ele, fortalecer a saúde mental é buscar um pacto pela saúde mental e isso vai ocorrer quando todas as pessoas aceitarem que o bem-estar mental é prioridade para a humanidade, porque tudo começa na mente. Explica que quando a mente está bem organizada, temos pensamentos, atitudes e decisões melhores. Quando a mente não está bem temos os conflitos acirrados, as disputas de poder, os enfrentamentos sem propósitos.

 

Afirma que Janeiro Branco vai se tornar um fenômeno mundial como o Outubro Rosa e o Setembro Amarelo, que são campanhas internacionais de combate ao câncer de mama e ao suicídio, respectivamente.

 

E por que Janeiro Branco? Krueger explica que a analogia é de uma folha em branco, onde cada um pode escrever uma nova história, se propondo a um novo recomeço.

 

Defende que ao buscar mais visibilidade à saúde mental o impacto na melhoria da qualidade de vida do coletivo é inerente. “Somente com informação, passando para frente nossos conhecimentos, poderemos criar uma cultura de saúde mental e consequentemente um mundo mais próspero e de qualidade para todos”.

This is a unique website which will require a more modern browser to work!

Please upgrade today!

Skip to content